Uma Rua ao Frio

O contraste do frio do chão coberto de neve e o calor que vem de dentro do casaco. O choque do ar gelado com o respirar.

quinta-feira, maio 10, 2007

Auto-retrato IV

(fotografia por eu)

1 Comments:

  • At 2:16 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    "Chamas-te Nuno. Aliás, tu não te chamas, os outros é que costumam fazê-lo. A linguagem continua a ser um óptimo deformador do pensamento. Vinte anos, talvez vinte cinco. Nunca sei. Tens ar de pintor ou de poeta. Estudas(estudavas!?) Direito. Ainda melhor. Gosto de incronguências. Não há nada mais previsível que um filósofo com ar de louco... Despedes-te da cama com um bocejo. Tens o rosto sujo de sono e os sonhos ainda desarrumados na tua cabeça. A cama e o corpo separam-se finalmente. Abres a janela e calas o silêncio. De dia vive-se. É assim que é. O banho é possível. Migalhas de noite caem-te pelo corpo. A água queima-te. Ouviste dizer que a água quente faz mal ao corpo, que pára a circulação, não é? Então pões mais quente. É muito mal que queres que te faça. Sim, ao corpo. E á mente também, se for possível. E se for impossível também. Às vezes parece mesmo que não vais aguentar. E afinal até aguentas. E afinal até consegues. E afinal até és muito mais forte do que aquilo que pensavas. Ouves na rádio que vai estar sol todo o dia. Olhas pela janela e reparas que as ruas espreguiçam-se devagar, e reparas que os carros são acordados pelas pessoas cheias de pressa (pressa de quê?)e reparas que chove. É bom que as previsões meteorológicas às vezes falhem (e a D.Deolinda tb :)). Fazem-te acreditar na imprevisibilidade do mundo. Logo, na possibilidade de seres feliz. Vais para onde te esperam e pensas que os sítios têm personalidade sem perceberes se é o próprio espaço físico que é assim ou se são as pessoas que lhe conferem esse ambiente. Olhas para a frente e tentas integrar-te em discursos infinitos, porém hoje não és capaz de uma simples dedução. De um pensamento que ultrapasse os teus pensamentos, por mais breve e fácil que possa ser. Hoje simplesmente não consegues. Nem sabes por que é que vieste. Os teus olhos, absortos e profundos, olham sem olhar o céu pela parte da janela que te é permitida. O som de cada palavra junta-se instantaneamente e resulta um incrível rugido que quase nunca consegues decifrar. Sorris com uma falsa alegria e não dizes nada porque não sabes o que poderia ser dito. Não, hoje não. Encolhes os ombros e esqueces. As mesqinhices inúteis, as desgraças exageradas, as discussões irracionais...nunca as levaste muito a sério. Esquecer é o teu refúgio!? Estão a combinar ir ao cinema, jantar e sair. Aceitas tudo, alinhas em tudo. Queres mais que tudo, se puder ser. De modo que falas muito, discutes filmes, comes, bebes , danças (!?). Com prazer misturado. Com palavras. Com muita gente. Passam (ou passaram!?) dias assim, impossíveis de parar. Sem saber já sequer por que é que começou. E, no entanto, o medo por detrás de cada palavra, e no entanto o cheiro a silêncio, e no entanto a angústia nos teus olhos.
    E tu...a fechares os olhos...a guardares uma lágrima e a confessares baixinho: "Se ultimamente canto não é porque esteja feliz. Mas se não há mesmo mais nada senão isto, então é isto que terá de ser!"

    Adapt. T.R in Expirações - Phallus

     

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