Uma Rua ao Frio

O contraste do frio do chão coberto de neve e o calor que vem de dentro do casaco. O choque do ar gelado com o respirar.

sexta-feira, maio 25, 2007

o concerto, o dub e o trio..

Cheguei às dez e dez. Há dez minutos que as portas tinham aberto. Paguei e entrei rápidamente pois já se ouvia a banda a tocar. Assim que cheguei à sala, deparei-me com o espaço vazio, estando ainda a banda a fazer o soundcheck. Eu era o público. Todas as outras pessoas eram técnicos de som, pessoal da casa e seguranças. Estava no meio da confusão da organização, tanto que até dois elementos de uma banda que tocava depois me veio perguntar o que é que tinha que fazer..

O soundcheck acabou, e o palco ficou vazio. Eu estava no meio da plateia, não sabendo como fazer para dar a ideia que o sítio até estava composto. Não havia hipótese. Esperei. A banda esperou. Finalmente entraram mais três pessoas. Dirigiram-se ao bar e lá ficaram. Esperei. A banda esperou. Entraram por entre a espera mais oito pessoas. Não havia mais espera. A banda entrou em palco, coçaram a cabeça como quem diz "viemos de Nova Iorque para isto?", apresentaram-se e começaram a tocar.

Tal como referi, o trio explora as sonoridades do dub, dando-lhe uma abordagem moderna e, desde o último álbum (New Heavy), juntando-lhe guitarradas rasgadas o que impulsiona ao dub, tipicamente embebido pelo off-beat lento do reggae, uma adrenalina intensa. A multiplicidade de sons em stereo faziam daquele trio uma autêntica orquestra, enchendo plenamente a sala com uma massa de som composta por harmonia e dissonância.

O público, portanto eu e mais 11 pessoas, divergia de opinião. Enquanto eu (muito provávelmente o único que os conhecia) me deixava envolver por aquela energia sonora, outros membros estranhavam, outros ficaram curiosos e até já estavam dentro do som no fim do concerto, e outros simplesmente ficaram no bar a conversar, certamente a dizer que já não se pode estar num sítio sem barulho...

Tocaram pouco mais de uma hora, agradeceram a presença do público e sairam sob um aplauso adormecido.

O público, portanto eu e mais 11 pessoas, estava ali bem perto da banda. Contudo não creio que tenha sido um concerto intimista. Eles fizeram o que mais gostam e sabem fazer. Eu adorei ouvir. Saí enquanto entrava bastante gente, e o resto do público ficou para ver as bandas que se seguiam (apenas vi o início do acto seguinte que consistia num glam pop-rock cheio de anos 80 no seu pior!).

2 Comments:

  • At 11:52 da manhã, Anonymous Porfírio Silva said…

    A reportagem, prometida para o dia seguinte, tardou mas saiu boa. Essa tendência para o "minoritário" (em música, pelo menos...) é nova, está agora a ser descoberta, ou é um traço sempre presente mas mal disfarçado?

     
  • At 9:03 da manhã, Blogger Nunicius said…

    A "tendência para o minoritário" sempre existiu, mas com o tempo tem vindo a ser intensificada. A descoberta de um mundo de, aquilo a que eu chamo, boa música, permite muito mais fácilmente conhecer outras bandas dentro mesmo "meio". Um grande exemplo disso é a proliferação de bandas optimas provenientes do Canadá (não, não me estou a referir a Brian Adams ou a Celine Dion), que permitem, ao explorar uma das bandas, conhecer outras devido à interligação de músicos. Mas a "tendência para o minoritário" é uma constatação de facto e não uma busca por conhecer algo que ninguém conhece. Eu apenas procuro boa música, e música que eu goste, nunca estando propriamente preocupado com a quantidade de pessoas que a conhecem. Invariávelemente, parece poder-se constatar que a música boa é, tendencialmente, minoritáriamente conhecida.

     

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